Delegado de operação na casa de filho de Lula é afastado

O comissário afastado Rodrigo Luís Galazzo

O comissário afastado Rodrigo Luís GalazzoFoto: Reprodução/Facebook

 

O secretário estadual da Segurança Pública, Mágino Alves, determinou nesta quarta-feira (11) que o delegado responsável pela operação na casa de Marcos Lula da Silva, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seja afastado do caso.
Na terça (10), a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa de Marcos Lula, em Paulínia (117 km de São Paulo), após ter recebido uma denúncia anônima de que haveria drogas naquele endereço. Segundo a coluna “Mônica Bergamo”, não foram encontrados entorpecentes na residência. Além disso, a polícia apreendeu dois notebooks, CDs, DVDs, disquetes e documentos de Marcos Lula.


Em nota encaminhada à redação, a pasta afirma que investigará essa diligência em um procedimento administrativo e que, para preservar a apuração, afastará o delegado Rodrigo Luís Galazzo. O secretário se reuniu nesta quarta com seis deputados estaduais do PT: Alencar Santana Braga, Enio Tatto, Ana do Carmo, Márcia Lia, José Américo e José Zico Prado.O partido solicitou a audiência para pedir esclarecimentos ao titular da Segurança sobre a conduta de Galazzo. Para os parlamentares, o delegado “agiu com clara finalidade política de perseguir Lula e sua família”.
“A alegação de que houve uma denúncia anônima sobre drogas e armas em um determinado endereço não se sustenta por algumas razões. A principal delas é que não havia nada no local”, afirmou a bancada do partido na Assembleia Legislativa de São Paulo, também em nota.
Segundo os parlamentares, no pedido de busca e apreensão encaminhado à Justiça havia dois endereços ligados a Marcos Lula: sua atual residência e a antiga. No entanto, afirmam, a denúncia só se referia a um local. “Essa é a prova cabal de que os delegados agiram com finalidade política”, afirma o PT.
 
Documentos
O deputado Alencar Santana Braga, líder da bancada na Assembleia, diz que, além da questão dos endereços, os deputados abordaram a apreensão dos computadores e documentos. “A ordem é para apreender armas e drogas, como ele sai de lá com papéis e computadores?”, afirma o parlamentar. “O conjunto de erros dá margem a entender que o objetivo do delegado era político e que não tem sentido ele apurar qualquer coisa desse procedimento.”
De acordo com Alencar, o secretário disse aos petistas que investigaria a operação para averiguar a conduta dos agentes e que, naquele momento, não era possível afirmar se a operação foi ilegal ou se estava correta. O mandado de busca e apreensão expedido pelo Tribunal de Justiça autoriza os policiais a proceder a “busca e, se for o caso, a apreensão de entorpecentes, armas e outros objetos ligados ao crime”.
A Secretaria da Segurança Pública afirma que investigará se houve equívoco do delegado ao retirar do local computadores e documentos, mesmo que não tenha encontrado indícios de drogas na residência de Marcos Lula. Sobre o destino dos computadores e documentos do filho do ex-presidente, caberá agora à Justiça decidir o que será feito com todo o material apreendido.
A Folha não conseguiu contato com o delegado até a publicação desta reportagem. A Secretaria da Segurança Pública afirmou que ele não irá se pronunciar.
O advogado da família Lula, Cristiano Zanin, que representa Marcos nesse caso, afirma que não irá comentar a decisão da secretaria.
 
Denúncia
Filho adotivo do ex-presidente, Marcos mora em Paulínia. A operação foi deflagrada depois de uma denúncia anônima feita por telefone ao Disque Denúncia. De acordo com o que a polícia informou à Justiça, o denunciante dizia que uma grande quantidade de drogas poderia ser encontrada na residência. A polícia informou que pediu o mandado porque não poderia fazer uma operação de monitoramento, vigiando a casa à distância, em razão de câmeras instaladas na rua.

 


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